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Dom, Set

Onde estão os jovens? O que pensam, o que sonham, o que esperam do amanhã? Quais os seus anseios mais profundos? Afinal, o jovem de hoje tem vocação? Perguntas como estas não são fáceis de serem respondidas. Aliás, só conseguiremos algum lampejo no horizonte, se fizermos o esforço de abandonar, por um instante, nossas falsas seguranças e certezas, para adentrar o “fascinante” mundo do jovem conectado.

Facebook, Tik Tok, Instagram, Snapchat, Whatsapp, Youtube... São as novas estradas do jovem de hoje. Frequentamos ou conhecemos estes ambientes? Estamos abertos a aprender a “linguagem” das mídias sociais, ou ainda insistimos em métodos que há muito deixaram de ter sentido? “Se a sua linguagem não se exprime em palavras inteligíveis, como se poderá compreender o que vocês dizem? Estarão falando ao vento”, diz o Apóstolo Paulo (1 Cor 14, 9).

A juventude está fragilizada e carente de sentido. Depressão, ansiedade, angústia e solidão são alguns sinais de que os jovens – embora sem consciência – estão gritando por socorro e direção. Eles anseiam por “guias”, isto é, por pessoas verdadeiramente humanas e espirituais capazes de orientá-los em sua “busca de sentido”, para usar uma expressão de Viktor Frankl. Quando, porém, não encontram consolo - seja na religião, na família ou nas relações afetivas - passam a procurar respostas no “guia mais fácil”, isto é, no algoritmo das redes sociais, o “especialista” onipresente e invisível que, num passe de mágica, oferece “soluções” fáceis a problemas complexos.

Caracterizado por sua rapidez e inteligência, o tal do algoritmo promete as melhores experiências, aponta caminhos, reúne pessoas, seleciona perfis, classifica gostos e afinidades, conecta indivíduos com suas bolhas e, assim, vai dominando todos os passos e espaços de nossa cotidianidade. Em síntese, o algoritmo é o “guia” dos desorientados. Parafraseando Lewis Carroll, a quem não sabe para onde ir, o algoritmo mostra um caminho.

O que está por trás do excesso de conectividade? Que busca é essa que parece insaciável? O que motiva o jovem a “perder” tanto tempo nas redes sociais? Haveria, por trás de tudo isso, um “adormecido” desejo de transcendência?

Toda infelicidade do homem, diz Blaise Pascal, reside em sua incapacidade de “ficar no seu quarto sozinho”, isto é, de lidar com a própria solidão interior. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, por sua vez, considera que, embora estejamos tão presos ao mundo digital, somos “solitários interconectados”.

Diante de tudo isso podemos nos perguntar: a culpa, então, é do algoritmo? É ele que não nos deixa ser livres? O problema talvez esteja na dificuldade que o jovem de hoje tem de assumir as rédeas da própria vida, isto é, de aceitar-se como protagonista de sua história, não obstante o caos e as incertezas do tempo presente. O problema do jovem conectado, diria o Papa Francisco, está na sua “surdez interior”. Quanto mais conectados, mais ausentes nos tornamos em relação à interioridade e ao nosso propósito maior.

“A humanidade está em crise”, “não temos vocações”, “os jovens não querem nada…” são algumas das expressões proferidas pelos “pescadores de homens” do nosso tempo. Contudo, será que estas afirmações não são uma maneira muito sutil de esconder o próprio vazio existencial ou fugir das próprias crises? É fácil culpar a indecisão dos jovens. Difícil é assumir a condição de sofredor e – a exemplo do Curador ferido – ajudar o outro a encontrar o seu caminho, sem ignorar as próprias fragilidades, pois, como disse o Apóstolo Paulo, é preciso aprender a orgulhar-se das próprias fraquezas, pois “quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Cor 12, 10).

Em meio a tanto sofrimento, dentro e fora do ambiente religioso, será que estamos fazendo as perguntas certas? Estamos dispostos a nos desapegar dos velhos (e cômodos) métodos e pensar novas maneiras de atrair (e manter) as vocações? Os seminários e conventos estão preparados para serem lugar de compaixão, onde residem homens e mulheres de misericórdia aptos a ajudar a sarar a juventude sofrida e carente de sentido? Temos consciência dos impactos das mídias sociais na saúde mental dos futuros vocacionados? Que linguagem estamos utilizando para chegar ao coração dos jovens de hoje? Estamos dispostos a percorrer as “estradas digitais” e ir ao encontro dos “homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança” como nos indica o Papa Francisco? Como estamos nos preparando para lidar com esta nova realidade virtual – imersiva, interativa e figital – denominada metaverso?   

Se não nos prepararmos para lidar com os desafios e complexidade do mundo digital, seremos engolidos por ele. Neste sentido, o Papa Francisco nos encoraja: “não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital”. O carisma da comunicação deve libertar-nos do analfabetismo digital. Com efeito, um “analfabeto digital” dificilmente compreenderá a urgência da evangelização em rede e, envolto em mil ideias do passado, preferirá a comodidade das receitas prontas. Nada menos medíocre para quem tem o Apóstolo dos gentios como modelo.

Diante da pressa e “liquidez” do mundo digital, o jovem de hoje tende ao imediatismo e à superficialidade. Há certo rechaço ao profundo da vida e das coisas. Eis o perigo quando o tema é vocação. Vida espiritual é processo e não sobrevive sem momentos de pausa e desconexão. Seguir a nossa Voz interior exige escuta, renúncia e entrega. Quem está disposto ao misterioso sacrifício do amor? Aos líderes espirituais do nosso tempo há três grandes desafios: cultivar diariamente a própria alma, conhecer os anseios e inquietações do jovem de hoje e, escutando-o com os “ouvidos do coração”, orientá-lo à reconexão consigo mesmo. 

O Padre Alberione diria que, antes de qualquer estratégia vocacional (ou midiática), o mais importante é o “preparar-se”, o estar atento aos sinais do Espírito. Ante o contexto atual, esta preparação exige basicamente quatro coisas: conhecimento das dores humanas e mazelas sociais do nosso tempo; habilidade midiática e consciência da revolução provocada pelas mídias sociais em todos os âmbitos da sociedade; capacidade de “ressignificar” o carisma - sem abdicar do essencial; vida interior e senso crítico para reinventar-se diante das peripécias do caminho. Em outras palavras, se queremos ser “vocacionistas” e “formadores” deste novo tempo temos de cultivar a compaixão pelo mundo e a abertura à universalidade. Sem um coração compassivo e universal como o do Apóstolo Paulo – capaz de perdoar e acolher a todos no Amor – continuaremos lançando nossas redes em mares vazios.

O algoritmo está cada dia mais inteligente e preparado para “desviar” os jovens de seus verdadeiros propósitos. Os mais frágeis - sem convicção e capacidade de escuta - serão tragados pelo vazio existencial. Contudo, aqueles que, seduzidos pelos encantos do mundo conectado, deixarem de lado a sua sede de infinito, passarão pelo mundo sem experimentar o real sentido da palavra “viver”.

Quanto a nós – que já encontramos o nosso Caminho, conhecemos algumas artimanhas do algoritmo e já não somos tão jovens – resta-nos pedir inspiração divina para “reconduzir” as “mentes conectadas” ao Essencial fazendo-as perceber que, para além das telas iluminadas, há um eu profundo carente de espiritualidade, afeto e plenitude. Quanto mais nos apegamos ao eu superficial, mais nos distanciamos de nossa verdadeira essência, isto é, a nossa vocação.

 

Agenda Paolina

25 Settembre 2022

XXVI del Tempo Ordinario (verde)
Am 6,1a.4-7; Sal 145; 1Tm 6,11-16; Lc 16,19-31
GIORNATA MONDIALE DEL MIGRANTE E DEL RIFUGIATO (108a)

25 Settembre 2022

* FSP: 1979 Casa Alberione a S. Paulo (Brasile) • SJBP: 1965 a Sestri Levante (Italia).

25 Settembre 2022

FSP: Sr. Rosa Maria Onofre (1989) - Sr. M. Giovanna Nicosia (1993) - Sr. Emiliana Miserere (2008) - Sr. M. Carmine Kumaki (2014) • PD: Sr. M. Antonietta Spinillo (2019) - Sr. M. Dorotea Bruno (2020) • IMSA: Maria Concetta Citarda (1974) - Gloria García Sanchez (2015) • ISF: Paolo Bacci (2016) - Gino Eriani (2017).